27 de agosto de 2008

Debut

Minha cabeça é anti-hierarquica.Sei que cada coisa tem o seu valor, mas cada uma em sua respectiva moeda, de forma que não me arrisco a colocar algumas a cima de outras.
Certamente, na rotina, perco essa pseudo-ideologia, e me vejo trocando internet e estudos, ou exercícios físicos por uma pipoquinha no fim da tarde, sem nenhum critério. Depois vem a culpa, consequência direta da minha sutil atribuição de importância, que eu neguei no meu primeiro período.
Disse tudo isso para explicar a minha indecisão de agora: O que deveria ser o agradecimento prioritário, o motivo mais forte, o que pulsa todo e qualquer outro "agradecer"?
O que é maior que todas as coisas, o que merece a minha primeira página?
Queria tanto saber.Queria abrir o blog com chave de ouro, lágrimas das leitoras, aplausos dos leitores, reverência de grandes autores, tudo isso do alto da minha insignificância.
Pensei em agradecer pela minha santa insignificância.Mas deixo para depois.
Pensei em agradecer pela família.Pulei, simplesmente.
Podia reconhecer a grandeza de uma virtude, a nobreza de uma pessoa, podia tentar fazer algo mais engraçado... Humor nunca foi meu forte.
Pessimismo, crítica às injustiças do mundo, acho que isso eu até conseguiria.Mal, mas conseguiria.Só não o faço por duas razões: não combina com o propósito do blog e eu tenho preguiça.As injustiças me dão tédio...
Quem sabe não devia escrever e preparar o leitor para o que eu pretendo fazer aqui, invadindo o monitor de algumas casas, provavelmente a dos mais chegados...
Confesso que até seria interessante, mas só eu sei o quanto de preparação já não houve para esta primeira postagem.Adiei por querer mais do que preciso de fato: preciso começar!
Resolvi agradecer por agradecer.
Pela oportunidade de não deixar minha vida passar em branco e enxergar em tudo motivos para ser feliz.Foi Vicente de Carvalho quem disse que nunca estamos felizes pois "a felicidade está onde a pomos / e nunca a pomos onde estamos" (essa veio da memória, então pode não ser LITERALMENTE assim).
Poder agradecer me faz contente, contentada com o que tenho, satisfeita com quem eu sou.Dando créditos a minha fase, que não me deixa negar, acredito que todo o adolescente que já enfrentou, ou enfrenta, essa crise inexplicável pela sua identidade e suas interações correspondentes, sabe como é bom estar satisfeito consigo.
Tão maravilhosa é a oportunidade de reconhecer a grandeza de tudo que nos cerca, que eu dou mais um berro surdo à humanidade: Agradeça.
Não por quem ou pelo o que está recebendo o mérito.
Talvez seu sentimento jamais tenha repercussão nenhuma.E se o meu se incluir no caso anterior, reforço: não tem problema.Eu, o agente do agradecimento, só eu tenho a ganhar.
Se não bastasse o meu amadorismo, a própria linguagem em si é deficiente na hora de representar o prazer.Além disso, a prática é a melhor educadora.
Por essas razões convido qualquer um a experimentar agradecer.
E, então, experimentar, verdadeiramente, viver.

2 comentários:

  1. Bianca Parisi Meira27 de agosto de 2008 17:49

    Querida, eu sempre quis que você entendesse e provasse o poder que tem a gratidão na nossa vida e na vida do próximo e muito me alegro por perceber que é um caminho que começa a descobrir. O apóstolo Paulo sabia do poder da gratidão quando disse: "aprendi a viver contente em qualquer situação"...
    Amei seu blog e seus textos. Só me resta AGRADECER e agradecer muito a Deus pela filha linda, inteligente e virtuosa que Ele me deu. Te amo pra sempre. Mamãe Bia

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  2. Manu..parabens seu blog tah otimo
    vc é sensacional...seus textos estão otimos
    bjus

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